Baú de Frases

Curioso de nascença, desde pequeno Monteiro Lobato procurava aprender o máximo sobre as coisas, visíveis ou imaginárias, e não era só nos livros que buscava respostas, gostava de saber como as pessoas pensavam, observava a natureza e descobria seus mistérios.

Com tanto conhecimento acumulado, é claro que ele adorava dar palpites sobre todos os assuntos, tentava mudar o que achava errado, melhorar o que já estava bom, e criava frases. Frases que davam a medida exata do tamanho do seu pensar e que estimulavam o leitor a continuar sonhando.

Como pode-se ver por estas, aqui selecionadas.

"Depois que me vi condenado a seis meses de prisão, e posto numa cadeia de assassinos e ladrões só porque teimei demais em dar petróleo à minha terra, morri um bom pedaço na alma."
(Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 17/9/1941)

"A primeira vítima da televisão vai ser a velha e boa Saudade, que no fundo é filha da Lentidão e da Falta de Transportes. A saudade desaparecerá do mundo. Em breve futuro a palavra
(Carta a Godofredo Rangel, Nova York, 17/8/1928)

"No fundo não sou literato, sou pintor. Nasci pintor, mas como nunca peguei nos pincéis a sério, arranjei, sem nenhuma premeditação, este derivativo de literatura, e nada mais tenho feito senão pintar com palavras."
(Carta a Godofredo Rangel, Areias, 6/7/1909)

"Há dois modos de escrever. Um, é escrever com a ideia de não desagradar ou chocar ninguém (...) Outro modo é dizer desassombradamente o que pensa, dê onde der, haja o que houver - cadeia, forca, exílio."
(Carta a João Palma Neto, São Paulo, 24/1/1948)

"No fundo, o que há contra mim é inveja em consequência de minha vitória comercial nas letras. Até o fim do ano, passo dos 2 milhões em minhas tiragens."
(Carta a Jaime Adour da Câmara, São Paulo, 10/5/1946)

"Todos os nossos males, econômicos, financeiros e morais, (...) provêm de uma causa única: pobreza, anemia econômica. Vou além: miséria."
(Carta a Alarico Silveira, Nova York, 3/5/1928)

"Estou condenado a ser o Andersen desta terra - talvez da América Latina."
(Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 28/3/1943)

"Passei nesta prisão, General, dias inolvidáveis, dos quais me lembrarei com a maior saudade. Tive o ensejo de observar que a maioria dos detentos é gente de alma muito mais limpa e nobre do que muita gente de alto bordo que anda à solta."
(Carta a Horta Barbosa, presidente do Conselho Nacional do Petróleo, abril de 1941)

"Continuo traduzindo. A tradução é minha pinga. Traduzo como o bêbado bebe: para esquecer, para atordoar. Enquanto traduzo, não penso na sabotagem do petróleo."
(Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 15/4/1940)

"As fábulas em português (...) são pequenas moitas de amora do mato, espinhentas e impenetráveis. Um fabulário nosso, com bichos daqui em vez dos exóticos, se feito com arte e talento, dará coisa preciosa."
(Carta a Godofredo Rangel, Fazenda, 8/9/1916)

"O que não somos nunca é ovelha - fiel ovelha do Santo Padre, de Sua Majestade o Rei, do Partido, da Convenção Social, dos Códigos da Moral Absoluta, do Batalhão, de tudo que mata a personalidade das criaturas."
(Carta a Godofredo Rangel, Fazenda, 7/6/1914)

"A história dos historiadores coroados pelas academias mostra-nos só a sala de visitas dos povos. (...) Mas as memórias são a alcova, as chinelas, o penico, o quarto dos criados, a sala de jantar, a privada, o quintal (...) da humanidade."
(Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 9/5/1913)